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terça-feira, 1 de março de 2011

ARTIGO

EDUCAÇÃO, CULTURA E SEXUALIDADE EM FREUD: Uma investigação sobre processo de aprendizagem e afirmação cultural

Antônio Marcos Ferreira¹


A investigação freudiana sobre a origem do processo de aprendizagem tem seu ponto de partida na teoria do Desejo de Saber. Mas em que consiste tal teoria? Sigmund Freud nos esclarece sua concepção mostrando-nos as perguntas pioneiras que se geram na mente de cada criança. Tais perguntas estão inclusas num período da vida que Freud chama de “fase dos porquês?” Mas, afinal o que busca uma criança quando quer aprender algo? Ou ainda, que razão motiva uma determinada criança a ir em busca de determinado conhecimento? Porque será que tantas perguntas surgem na mente de uma criança?
Para Freud todas as perguntas da criança podem ser resumidas na pretensão de entender dois “porquês” fundamentais na vida: 1- Por que nascemos?, 2- Por que morremos? Ou ainda, de onde viemos e para onde vamos?
Entende Freud, que o momento crucial na vida de todo ser humano se dá na descoberta da diferença sexual e essa descoberta é responsável por promover a definição da criança no mundo, que segundo Freud não depende necessariamente da observação do mundo, mas de sua passagem pelo complexo de Édipo, que para ele é o que permitirá a criança definir-se sexualmente (isto após ter extraído das relações com o pai e/ou com a mãe as referências necessárias a essa definição).
Segundo Freud, o conhecimento é resultante daquilo que ele chama de castração. É angústia da castração que a conduz à busca do conhecer, ou do querer saber. Porque as pessoas são diferentes sexualmente?Porque meninas e meninos tem os corpos deferente? Essas perguntas colocam a criança em diante de imensa perplexidade, o que gera na mente da criança a sensação da perda, ora, se meninas e meninos são diferentes pode ser que em algum dia eram iguais. As diferenças foram certamente geradas pela perda (É isso que se passa na mente da criança segundo) essa sensação de perda é para Freud o que envolve a criança no desejo da descoberta. Os questionamentos de ordem sexual demarcam as primeiras empreitadas da criança na busca do conhecer, as descobertas sexuais são as indagações pioneiras da criança. Todavia entenderá Freud,que ao aos poucos essas indagações serão reprimidas pelo processo cultural, onde outras indagações serão substituídas pelas antigas investigações sexuais.
O processo de aquisição cultural ou aprendizagem é para Freud, intermediado por alguém que ocupa um lugar do pai ou da mãe no mundo da criança. Para Freud é o professor quem inevitavelmente será o alvo daquilo que ele chamará de transferência, onde a criança substituirá o pai ou a mãe pela figura do mestre, desta feita o professor assumirá uma extraordinariamente perigosa que poderá ao mesmo resultar em conseqüências positivas ou negativas no processo de aprendizagem. Caberá ao educador a inevitável tarefa de saber decidir que ações deverá tomar diante de determinada situação.
Se por um lado a tentativa de repreensão à atividade transferencial exercida pela criança poderá ser uma atitude cruel por parte do professor, por outro lado aceitar as condições da transferência sem reação (mesmo com uma intenção positiva) será uma atitude muitíssimo perigosa. Assim o professor é quem deverá buscar agir de forma sempre racional e coerente, não sendo radical jamais em sua decisão, já que o que está em jogo é toda uma vida de aprendizagem que começa na infância.

¹Graduado em Filosofia (Licenciatura e Bacharelado) pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Professor efetivo do Quadro Estadual de Educação SEDUC-PA, com locação nas Escolas Enedina Sampaio Melo e Dalila Afonso Cunha. Poeta, prosador e militante do movimento cultural miriense. Sócio-fundador do INCAM – Instituto Caboclo da Amazônia de Cultura Educação Popular, Tecnologia Social e Desenvolvimento Sustentável.

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